O _ _ _ Ausente

Tudo começou no jantar

Não houve jantar

Passou a só chegar depois das 21h

Não demorou para que 22h fosse seu horário de chegada

Já estive acostumado a vê-lo depois das 23h

Já não o vejo mais

Boletins ficaram perdidos entre contas a pagar

Beijos, só em bilhetes, meus

Alguém deveria lê-los, afinal, sempre havia dinheiro

Novo dinheiro

Velhos hábitos

Velhos…

 

E o futebol acabou

As risadas cessaram

Cumplicidade juntou-se com Amor e carinho e disseram adeus

Para, talvez, um dia voltarem

E tudo foi passando…

Cada vez mais cedo

Cada vez mais tarde

Respondia as mensagens com dinheiro

Se fazia presente num mundo virtual

Já não era mais problema

Era normal

 

Às vezes ouvíamos seus rugidos

Só para acreditarmos que ainda existia

Ficamos aguardando o Pai

Mas só conhecíamos o paidinheiro, o paigrosso, o _ _ _ ausente…

Resolvemos que deveríamos almoçar em família

Mas tudo acabou no almoço

Tudo o quê?

(Rony Ron-Rén)

Ser Família

O que é isto ser família?

O que é isto o brincar, reunir, amar?

E não ter o medo da solidão que um dia virá?

O que é isto contar com os outros?

E ter neles a esperança do desalento que nunca chegará

Aquele sorriso afago, cafuné abraço, beijo confissão.

 

Ser família e ter laços se diferem.

Laços são criados, rompidos, retecidos, esgarçados e se reconstroem.

Ser família é para poucos

É dar a mão, confiar, estar sempre

A qualquer momento

por simplesmente

Ser

Família.

(Rony Ron-Rén)

Inde cisão

Um homem

Duas escolhas

Difícil solução

Sabe como é difícil se manter feliz por muito tempo?

Uma hora sou o que quero

Na outra, odeio o que sou.

Na hora odeio o que quero

Uma outra, sou o que sou.

(Rony Ron-Rén)

The Right Side

r phone

O lado direito do meu fone quebrou. Até hoje procuro saber o porquê, mas já começo a desistir de uma resposta exata. Você pode se perguntar o porquê de me importar assim com um simples fone. Respondo dizendo que para mim não era um simples fone. Eu, exigente como sou, fiz uma busca intensa, comparei marcas e preços e, no final, este era o melhor que podia ter. “Mas se era tão bom, por que quebrou?”. Ainda me pergunto isso…
Foi num dia normal, daqueles em que uma música antiga da sua playlist é o acontecimento do dia. Estava ouvindo minhas músicas enquanto ia para o trabalho. Ouvi um chiado, o som começou a falhar e finalmente parou. A princípio achei que fosse mau contato, mas não importava o quanto eu conectasse o plugue, o lado direito não funcionava. Me senti frustrado, uma espécie de morte súbita que te tira do eixo e te faz pensar sobre as atitudes que anda tomando na vida.
Ele sequer havia dado sinais de que pararia, o que eu poderia ter feito para evitar? Talvez se eu tivesse ficado em casa ao invés de ir pro trabalho… ou se eu tivesse cuidado melhor dele, quem sabe? Mas será que ele simplesmente não estava fadado a isso? Acabar sem mais nem menos e me deixar tantas perguntas que jamais serão respondidas.
Por alguns meses confesso que esperei o lado direito voltar. Havia em mim uma esperança débil de que tão inesperadamente como ele tinha ido embora, também assim ele voltaria e eu entenderia que fora apenas um lapso.
Os meses se passaram e nada aconteceu. Os questionamentos deram lugar à resignação. Independente do porquê e das razões que o levaram a isso, é certo que ele não vai mais voltar. Cansei de ouvir músicas pela metade. Aproveitei para mudar um pouco os hábitos e passei a ler mais ao invés de escutar música no caminho para o trabalho e para a casa. A vida tem sido mais feliz assim e em algum momento oportuno um novo fone passará a viver em minha mochila.

Rony Ron-Rén

Por um segundo mais feliz

Vivemos vidas tão extraordinariamente apáticas. Vidas simples, ordinárias, cheias de surpresas e felicidades que gostaríamos de suspender para que pudéssemos provas seus sabores indefinidamente.
Urge em mim o desejo de mudança. Urge em nós.
É um roncar do cérebro e da alma pedindo por novidades. Que vão. Estamos sempre desejosos de novas felicidades, que por acaso eram as mesmas de antes e nem notamos. E a fome cresce, o controle diminui. Se torna uma droga. Droga de mudança! Droga de desejo! É a enfermidade da efemeridade.
Ontem, ontem, ontem, novo, novo, novo. Até esse texto é velho, agora, já escrito.
Levamos a vida na esperança de uma felicidade que nos complete as horas, os anos… mas as horas se vão e ficamos, esperando, famintos. Felicidade não é refeição, é junk food. É o alimentar-se por prazer sem pensar nas consequências, com uma esperança, ainda que muito vaga e débil, de que não sentiremos fome por muito tempo. Mas sentimos, sabemos disso. E continuamos a felicitar junk food.
E não dá pra sobreviver de McDonald’s toda hora, assim como não é possível ser feliz a todo momento. É pela tristeza que existe a alegria. A melancolia da vida nos faz captar a noção/sensação súbita de felicidade. A saciedade que vem e vai, tão logo você tenha notado.
– Fui feliz – você se dá conta. – Quero mais.
E mais uma vez segue-se em busca de uma eterna refeição que nunca estará, de fato, pronta, em uma vida que é ordinariamente, ora feliz…. ora não.

Um retorno aos poucos

Caramba! Meu último post foi em Novembro do ano passado! Muuuuito tempo! Eu acho que estava acostumado com aquela coisa de escrever num blog e ter seu “público” fiel. Aquelas pessoas que sempre leem seu blog e comentam e tudo mais. Contudo, essas pessoas foram sumindo e também fui perdendo meu desejo em atualizar o blog.

Mas entrando hoje, vejo a quantidade de acessos que ainda recebo. Fico muito feliz em ver que, apesar de não ter o tal do público fiel, há pessoas que entram aqui no blog descompromissadamente, leem e gostam. Até comentam!

Então vou tentar voltar a postar ocasionalmente aqui no blog.

Abraços!

Os Psicopatas leves

Tava surfando pela net… fazendo minhas leituras constantes e diárias quando li o texto que lhes apresento logo abaixo. Achei um bocado interessante… e não sabia que realmente existisse algo patológico assim!! Leiam com atenção a prestem atenção se não conhecem alguém assim! hehehehe

Quem não conhece um “leve” psicopata? Depois de ter lido o livro “Mentes Perigosas”, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, você vai ver que conhece, e muitos!

Eles são narcisistas, egocêntricos. Pensam muito e sentem pouco. Tomam decisões a partir de como podem ser beneficiados com prazer, auto-satisfação, poder, status e diversão.
Além de terem o prazer no “errado”, isto é, de nadar contra a corrente, facilmente se ofendem e tornam-se violentos, pois não suportam contrariedades. São sempre vítimas.

Intolerantes ao tédio ou a situações rotineiras, os psicopatas buscam situações que possam mantê-los em um estado permanente de alta excitação. Por isso, evitam atividades que demandam grande concentração por longos períodos. Compromissos e obrigações nada significam para eles.

Naturalmente, pessoas assim não são confiáveis. Eles mentem, manipulam e chantageiam sem a menor dificuldade. Inteligentes, manipuladores, especializados no assédio psicológico, sabem convencer os outros. Eles conhecem as fraquezas alheias, apesar de não serem capazes de sentir o que os outros sentem.

Um dado importante: todo psicopata, de grau mais leve ou mais alto, tem consciência de seus atos, mas não sente a dor que causa nos outros, porque simplesmente seu cérebro não funciona assim.

Vamos compreender isso melhor. A grande maioria dos seres humanos é formada de empáticos: o sofrimento alheio provoca dor neles mesmos, o que os leva a tentar ajudar seus semelhantes. Ajudar o outro é uma forma de aliviar a dor que este lhes causa. Desta forma, nosso cérebro nos leva a ter comportamentos que garantem a harmonia social.

De modo simples e didático, podemos resumir nosso cérebro em duas importantes áreas: o sistema límbico (a sede das emoções) e o lobo frontal (sede do raciocínio).

Uma pessoa empática é capaz de ter ações compassivas e socialmente adequadas pois, como seu sistema límbico é ativado por emoções básicas, como raiva e medo, ele envia sinais para o lobo frontal onde são ativadas as áreas responsáveis pelos aspectos cognitivos – frios e racionais, assim como o julgamento moral.

Estudos comprovam que 4% da população mundial sofre de um déficit nos circuitos do sistema límbico, que deixa de transmitir, de forma correta, as informações para que o lobo frontal possa desencadear comportamentos adequados.
Ou seja, chegam menos informações do sistema afetivo para o centro executivo do cérebro. Assim, o lobo frontal, sem dados emocionais, prepara um comportamento lógico e racional, mas desprovido de afeto. Por isso, eles têm consciência de seus atos, mas não sentem a dor que causam nos outros!

Desta forma, os psicopatas não sentem medo nem ansiedade: parecem imunes ao estresse. Permanecem calmos em situações que fariam muitas outras pessoas entrar em pânico. São indiferentes à ameaça de punição. Eles têm até dificuldade de reconhecer medo e tristeza nos rostos e nas vozes das pessoas.

Uma vez que admitimos que uma pessoa é assim, biologicamente incapaz de se responsabilizar por suas ações, ficamos atônitos. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, estas pessoas nascem assim e irão morrer assim. Então, desista de querer mudá-los!
Mas, como lidar com eles?
Como sentir compaixão por estas pessoas capazes de ferir e destruir a vida de tantas outras pessoas?

Tenho pensado bastante sobre isso. Em primeiro lugar, creio que seja importante admitirmos que certas pessoas são mesmo assim. Não precisamos rotulá-las de psicopatas, associando-as com pessoas criminosas e intencionalmente agressivas. Apenas reconhecer que certas pessoas são mesmo um pouco assim.

Um pouco é um dado relevante. Reconhecer este pouco já vai nos ajudar muito! Pois passaremos a investir nos relacionamentos com uma moeda de troca mais real e coerente.

Por exemplo, quando alguém nos mantém refém de suas promessas. Parece que o melhor está sempre por vir e que cabe a nós, tão somente a nós mesmos, saber conter nossa ansiedade, nos responsabilizarmos pelos danos da espera e “confiar neles”.

Como pessoas empáticas, não somos impulsivos. Mas, quando as promessas revelam-se mecanismos de controle para manter a situação vigente, devemos abrir os olhos!
Nestes casos, segue aqui um conselho: não confunda o que uma pessoa diz ter para oferecer, com ela mesma. Sua capacidade de realizar o que diz não é real!

Portanto, a primeira coisa a fazer é ajustar a intenção com que as promessas são reveladas, com a realidade concreta dos fatos. Uma vez recuperada a lucidez de nossa real situação, temos que nos preparar para olhá-la sob uma nova perspectiva. Como diz o velho ditado: “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Pare e reflita. Você está sendo refém de alguma promessa manipuladora? Caso a resposta seja sim, calma.
Mesmo consciente de sua limitação, será preciso ir aos poucos. Procure ajuda daqueles que souberam reconhecer e superar relacionamentos semelhantes. Uma vez livres de tal jogo sedutor, poderemos ter compaixão por eles. Mas, antes disto, é preciso nos curar.

Lembre-se, eles não mudam e não será você que irá provar o quanto é boa e capaz ao tentar mudá-los!

Bel Cesar é terapeuta.