QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?, A DECEPÇÃO DO ANO – Por Marcelo Janot

Navegando pelo mundo da internet acabei me deparando com uma crítica muito interessante em relação ao filme Quem quer ser um milionário?. Já o vi no cinema e gostei um bocado, mas não achei tudo aquilo que andam dizendo por aí e tampouco acho que deveria ter ganho 8 oscares.

Engraçado que o Oscar deste ano foi povoado por filmes-biografia. A começar com as reais  histórias de Harvey Milk, num belíssimo filme, e de Nixon no filme Frost/Nixon, que relata os bastidores da entrevista que Richard Nixon concedeu logo após o caso Watergate. Há também O Curioso Caso de Benjamin Button e Quem quer ser um milionário? que de alguma forma também contam a história da vida de seus protagonistas.

Sem mais delongas, segue abaixo a crítica feita por Marcelo Janot em seu blog. Concordo com todas as suas idéias:

É difícil dizer em que aspecto “Quem quer ser um milionário?” é mais falho: como drama de forte cunho social ou como fábula romântica. São quase dois filmes distintos misturados no mesmo saco de gatos para agradar a gregos, troianos e votantes da Academia de Hollywood. Se analisarmos pelo lado do drama social, o que se percebe é um olhar deslumbrado sobre a miséria do terceiro mundo. Para nós, brasileiros, não é nenhuma novidade ver crianças sendo exploradas para pedir esmolas, catando comida em depósitos de lixo para sobreviver, cometendo pequenos golpes contra turistas e até mesmo pegando precocemente em armas – um fetiche já devidamente explorado por Fernando Meirelles em “Cidade de Deus”. Mas o inglês Danny Boyle não só reitera o que Meirelles já havia mostrado – com direito a perseguição frenética na favela, tal qual o início do filme brasileiro -, como vai além, mostrando, de forma superficial, desde os conflitos étnico-religiosos ao desenvolvimento urbano de Bombaim, a bordo de um roteiro que se pretende engenhoso, mas é cheio de clichês e simplificações.

Explicar cada resposta certa no quiz televisivo com flashbacks que mostram a trajetória de vida de Jamal é uma fórmula interessante, mas esquemática demais para se sustentar ao longo das duas horas de projeção. Boyle quer chamar a atenção para as maldades feitas pelos exploradores da miséria infantil, mas permite que o protagonista do seu filme, já como uma celebridade televisiva, aceite ser torturado na delegacia e no dia seguinte desperdice a oportunidade de denunciar os maus-tratos em rede nacional. E como imaginar um novo herói da nação saindo da emissora de TV anônimo e curtindo sua fossa sentado no chão da estação de trem, sem ser incomodado? Esses e outros equívocos não conseguem ser justificados pelo segundo filme que há dentro de “Quem quer ser um milionário?”: a fábula amorosa envolvendo Jamal e Latika. Só mesmo no reino do faz de conta e no cinema de B(H)ollywood somos levados a crer na forma que se dão os encontros e desencontros dos dois, um amor tão puro e irreal que nas cenas em que aparece com uma cicatriz tão bem desenhadinha no rosto, Latika parece a miss Índia numa propaganda de cosméticos.

Tirando a obsessão pelos coliformes fecais (lembram da cena em que Ewan McGregor mergulha numa latrina em “Trainspotting”?), Danny Boyle parece ter se tornado um outro cineasta, que nem de longe faz lembrar o diretor promissor e ousado de seus primeiros filmes. Depois de uma seqüência de realizações decepcionantes em Hollywood, ele parece ter mirado o populoso mercado indiano e, graças à globalização, ampliou seu mercado. Boa música, belas imagens e muita sacarose acabaram bastando para que os cada vez menos exigentes público, crítica e Academia se deliciem com este insosso curry inglês.

E você? O que achou do filme?

1 Response to “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?, A DECEPÇÃO DO ANO – Por Marcelo Janot”


  1. 1 Pedro 15/03/2009 às 00:17

    cê JURA que comparou quem quer ser milionário com o ilustríssimo Phrabu Deva?!

    (…)

    pelo menos o segundo ilustrou meus tempos de moleque, junto com os hits um docin(sem trocadilho), o famigerado rivaldo, tunak tunak tun e sheruteenk.

    ;bgs,btw.~~~


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