Relacionamentos mudam pessoas ou Pessoas destroem os relacionamentos

Era um casal que nunca daria certo, parecia. E não deram certo mesmo. Mas por um bom tempo, cerca de um ano e meio (uma eternidade se comparado aos relacionamentos de hoje em dia) as coisas foram ótimas para Alessandro e Jéssica.

No começo, bem antes de iniciarem o namoro, Jéssica já era apaixonada, secretamente, por Alessandro. Vivia um romance de novela em sua mente onde ele a desejava, escrevia belas cartas de amor, lhe dava presentes todo dia… um grude só. E era feliz com isso até que o ciúme, esse real, foi crescendo e já não conseguia ser detido. Jéssica, uma menina muito bonita, mas igualmente insegura, conseguiu vencer seus temores e se declarou a Alessandro. Mas para ele, quem era aquela garota? Ninguém. Não havia interesse por parte dele e isso alimentava a paixão da menina que cada dia mais lhe escrevia, mandava músicas, poesias, declarações de um amor futuro e o quanto a falta dele a fazia sofrer.

Alessandro era um cacto. Por fora uma pessoa espinhenta, seca, pouco amável. Por dentro (e esse lado nem ele mesmo conhecia) uma vida inteira acumulada, pronta para ser gasta.

Não demorou muito, cerca de dois meses, Alessandro já se sentia culpado por usar Jéssica como uma forma de aumentar sua autoestima e segurança. Ela já não possuía mais nem uma coisa, nem outra.

Resolveu lhe dar uma chance. Jéssica explodiu em alegria e o cobriu de mimos e quanto mais tempo passava, mais Alessandro se via apaixonado por aquela garota. Tinha medo de se entregar, sempre tivera. Medo de conceder a estranhos a administração de bens tão preciosos quanto seu coração e pensamento, mas se alguém era digno de ocupar esse cargo, esse alguém era Jéssica. E começou ele também a escrever belas cartas de amor, várias, pelo menos três por semana. E fazia surpresas a sua namorada, a bajulava, dava-lhe toda a segurança do mundo, era um namorado exemplar jorrando o amor de novela com que Jéssica sempre havia sonhado. Mas tudo que é perfeito só dura enquanto pensamento. Realidade é viver e viver é imperfeito, infeito, enfeite muitas vezes.

Um ano de namoro e as coisas já eram bem diferentes. Jéssica, com a ajuda de Alessandro, havia resgatado a confiança em si, em seus potenciais e na capacidade de se achar bela e desejada. Jéssica tinha noção de que se quisesse poderia trocar de namorado todos os dias.

– Se você não quiser, tem quem queira – dizia, em tom de leve ameaça.

Ele já não imaginava uma vida sem ela. Fazia planos de casamento, família, uma casa para morarem. Nunca achou que pudesse amar tanto alguém como a amava. Mas era irônico, e Alessandro no fundo sabia disso, que a partir do momento em que resolveu se abrir e verdadeiramente amá-la, começou em Jéssica um sentimento de comodismo. Já não escrevia como antes, as declarações foram minguando pouco a pouco, os planos foram sumindo e ela já não o namorava mais; convivia com ele.

Alessandro sentira a diferença, mas tinha medo de falar sobre o assunto e a namorada propor o término. Passava mal do estômago só de pensar na possibilidade. Uma voz lhe dizia:

– Eu falei. Amar dói. Era melhor não ter se entregado. Ela estava nas suas mãos enquanto a desprezava. Agora o idiota é você, amarrado a ela, não vendo vida além dos domínios que ela lhe impôs.

Já era tarde demais pra mudar. Alessandro não conseguia mais viver sem esse amor. Jéssica conseguia e tripudiava. Saía com as amigas, amigos, não avisava para onde ia, reclamava dele e se ousasse falar algo, ela já soltava sua frase:

– Se não quiser, tem quem queira.

Mas Alessandro sempre queria e ela sabia disso. Perduraram pouco mais de cinco meses nessa situação até que Jéssica começou a se sentir cansada e um pouco culpada. Já não o amava mais. Queria experimentar novas pessoas, novas bocas… queria o mundo. E ali, naquela vidinha segura e estável ela não conseguia o que almejava.

Pediu pra terminar. Alessandro pediu uma 2ª chance, ele mudaria o que fosse para ficar com ela, um pedido negado. Não era exatamente um problema ou outro dele. Era ele, o relacionamento… tudo!

Relacionamentos mudam as pessoas – ela concluiu – indo embora.

Pessoas destroem os relacionamentos – ele pensou – enquanto suas emoções alternavam entre a dor, angústia, esperança, alegria, tristeza, perseverança e decepção.

Por Rony Ron-Rén

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